Pois é, penso que não há volta a dar.
Perde-se a margem de confiança e desde logo começam os erros em catadupa. É assim com toda a gente, e com Trapattoni ainda mais. Ou não fosse ele o treinador do Benfica...
Atente-se neste pequeno exemplo. O Sr. Luis Mateus, escreve no diário MaisFutebol, um comentário elogioso ao novo potagonismo que Petit está a assumir na equipa. Chama-lhe este senhor "Petit, o novo 8".
No comentário (rubrica "Sobe & Desce") são descritas as novas funções do jogador, o seu novo posicionamente em campo, o seu protagonismo atacante e inclusivé, a sua veia goleadora. Se até aqui nada de novo, o comentário termina com um brilhante PS. Para espanto dos espantos, a responsabilidade do novo posicionamento em campo de Petit é de, adivinhe-se... Jesualdo Ferreira!!!
Pois é caros amigos. Não há volta a dar. A partir de uma certa altura, uma pessoa está fadada a só cometer erros. Trapattoni não foge à regra. Aliás, penso que é mesmo o exemplo mais paradigmático do que acabo de escrever. Desde o jogo na Bégica que o homem nunca mais fez nada certo! - Até as substituições que mataram o jogo com o Moreirense (e que meteram 30.000 assobios no saco), foram fruto do acaso. Sim, porque a coloção do Miguel como extremo direito resultou de um lapso linguístico entre o Português do João Pereira e o Italiano espanholado do Trap...
Para terminar, resta-me acrescentar que tivemos sorte. Se há dois anos, o homem não se lembrasse de estar atento a todos os jogos do Benfica, para aprender com as tácticas do Jesualdo, provalvelmente estariamos nos últimos lugares a olhar de baixo as excelentes exibições bimbicas e lagartáceas, autênticos tratados de boa teoria futebolística levada à pratica!
segunda-feira, setembro 13, 2004
segunda-feira, setembro 06, 2004
Truques de magia
Dizem os mágicos que os truques se baseiam na capacidade de atrair a atenção do espectador para algo que não lhe permita ver o truque, em si. Esta arte foi, nos últimos 20 anos, aplicada com grande mestria à gestão futebolística na pessoa do sr. Presidente do F.C.Porto.
Este facto leva-nos a um paradoxo intrigante. Sendo certo e sabido, mais do que a velhinha lei de Newton de que tudo o que sobe tem que descer, que sempre que algo não está bem para os lados das (ex-)Antas algo pior acontece aos outros 2 candidatos, é para os 2 candidatos mais interessante que o F.C.Porto esteja bem. O problema de tudo isto é que não está. O sr. Presidente do F.C.Porto já fez o mesmo truque tantas vezes que até os espectadores menos perspicazes já conseguem identificar as manobras de diversão utilizadas.
A tristonha vitória sobre o Benfica na Supertaça não apaga 90 minutos sem grande chama e a derrota na Supertaça Europeia só não surpreende quem ainda acredita no Pai Natal. Justificam os entendidos, especialmente os de sangue azul-e-branco com assento na comunicação social especializada, que a culpa foi de Del Neri. Afinal, Del Neri era um vilão completo. Racista, incompetente, atrasando-se com frequência para os seus compromissos, retrógrado na forma como dirige a equipa. Teve, inclusivamente, a ousadia de querer dispensar McCarthy, melhor marcador da Superliga e de shots em Vigo. E também Jankauskas, esse suplente de luxo, titularíssimo de águia ao peito.
A hipotética incompetência de Del Neri leva-nos a 2 cenários possíveis: Se Del Neri era realmente incompetente, então a culpa de uma pré-época atribulada não morre solteira, porque foi o sr. Presidente do Porto que o escolheu e que o definiu como novo Mourinho. Se Del Neri não era incompetente, então a culpa morrerá solteira na pessoa do sr. Presidente do Porto. Aliás, qq accionista da SAD campeã europeia, com um mínimo de bom senso, estaria muito preocupado com o despedimento de um treinador na pré-época.
Se ainda havia dúvidas sobre qual o cenário mais plausível, a verdade é que a notícia da venda em saldo de McCarthy ao Everton veio dissipar dúvidas. E com a saída também de Jankauskas e Rossato, a verdade veio completamente à tona. O F.C.Porto está completamente à deriva, ironicamente num mar de euros. Todos os jogadores que foram referidos como dispensados por Del Neri receberam, de facto, guia de marcha. Houve 2 contratações que não chegaram sequer à época oficial (Rossato e Paulo Assunção). E Del Neri não pode ser o único culpado de tudo isto.
Ora, estando a novela azul-e-branca practicamente em ponto de rebuçado é tempo de se confirmar a lei: "É melhor para os clubes de Lisboa que o F.C.Porto esteja bem". E aí está a primeira reacção no patético caso gerado à volta de Álvaro Magalhães. Um diálogo perfeitamente casual e, quero acreditar, registado inadvertidamente pela SportTV transformado num melodrama de contornos trágicos pelo pasquim das Antas. E eis que os focos da atenção se debruçam agora no Benfica que, rapidamente, se apressa a manifestar a sua repulsa (provavelmente não quiseram dizer nojo, mas eu digo) pela notícia. Pena só que o Benfica não tenha conseguido imunizar-se a estas questões e que Álvaro tenha feito um dispensável comentário sobre "acomodados".
E ninguém mais se lembra da costela Nostradamus de Del Neri ao adivinhar as dispensas, de McCarthy a queixar-se na África do Sul, dos 2 milhões de euros de Paulo Assunção, de Rossato a sair para a Real Sociedad, da pobre exibição com o Benfica, da Supertaça Europeia ou dos gastos desmensurados em jogadores da mesma posição. O F.C.Porto passou de ter 5 defesas-esquerdos para 3 números 10.
Em primeira análise, diria que o truque teve mais uma vez sucesso. E que, no fim, se ouviram alguns, cada vez menos, aplausos à prestação do grande artista. Chegará o dia em que os restantes clubes deixem o sr. Presidente do F.C.Porto a falar sozinho? Esse dia será um ponto de viragem.
Este facto leva-nos a um paradoxo intrigante. Sendo certo e sabido, mais do que a velhinha lei de Newton de que tudo o que sobe tem que descer, que sempre que algo não está bem para os lados das (ex-)Antas algo pior acontece aos outros 2 candidatos, é para os 2 candidatos mais interessante que o F.C.Porto esteja bem. O problema de tudo isto é que não está. O sr. Presidente do F.C.Porto já fez o mesmo truque tantas vezes que até os espectadores menos perspicazes já conseguem identificar as manobras de diversão utilizadas.
A tristonha vitória sobre o Benfica na Supertaça não apaga 90 minutos sem grande chama e a derrota na Supertaça Europeia só não surpreende quem ainda acredita no Pai Natal. Justificam os entendidos, especialmente os de sangue azul-e-branco com assento na comunicação social especializada, que a culpa foi de Del Neri. Afinal, Del Neri era um vilão completo. Racista, incompetente, atrasando-se com frequência para os seus compromissos, retrógrado na forma como dirige a equipa. Teve, inclusivamente, a ousadia de querer dispensar McCarthy, melhor marcador da Superliga e de shots em Vigo. E também Jankauskas, esse suplente de luxo, titularíssimo de águia ao peito.
A hipotética incompetência de Del Neri leva-nos a 2 cenários possíveis: Se Del Neri era realmente incompetente, então a culpa de uma pré-época atribulada não morre solteira, porque foi o sr. Presidente do Porto que o escolheu e que o definiu como novo Mourinho. Se Del Neri não era incompetente, então a culpa morrerá solteira na pessoa do sr. Presidente do Porto. Aliás, qq accionista da SAD campeã europeia, com um mínimo de bom senso, estaria muito preocupado com o despedimento de um treinador na pré-época.
Se ainda havia dúvidas sobre qual o cenário mais plausível, a verdade é que a notícia da venda em saldo de McCarthy ao Everton veio dissipar dúvidas. E com a saída também de Jankauskas e Rossato, a verdade veio completamente à tona. O F.C.Porto está completamente à deriva, ironicamente num mar de euros. Todos os jogadores que foram referidos como dispensados por Del Neri receberam, de facto, guia de marcha. Houve 2 contratações que não chegaram sequer à época oficial (Rossato e Paulo Assunção). E Del Neri não pode ser o único culpado de tudo isto.
Ora, estando a novela azul-e-branca practicamente em ponto de rebuçado é tempo de se confirmar a lei: "É melhor para os clubes de Lisboa que o F.C.Porto esteja bem". E aí está a primeira reacção no patético caso gerado à volta de Álvaro Magalhães. Um diálogo perfeitamente casual e, quero acreditar, registado inadvertidamente pela SportTV transformado num melodrama de contornos trágicos pelo pasquim das Antas. E eis que os focos da atenção se debruçam agora no Benfica que, rapidamente, se apressa a manifestar a sua repulsa (provavelmente não quiseram dizer nojo, mas eu digo) pela notícia. Pena só que o Benfica não tenha conseguido imunizar-se a estas questões e que Álvaro tenha feito um dispensável comentário sobre "acomodados".
E ninguém mais se lembra da costela Nostradamus de Del Neri ao adivinhar as dispensas, de McCarthy a queixar-se na África do Sul, dos 2 milhões de euros de Paulo Assunção, de Rossato a sair para a Real Sociedad, da pobre exibição com o Benfica, da Supertaça Europeia ou dos gastos desmensurados em jogadores da mesma posição. O F.C.Porto passou de ter 5 defesas-esquerdos para 3 números 10.
Em primeira análise, diria que o truque teve mais uma vez sucesso. E que, no fim, se ouviram alguns, cada vez menos, aplausos à prestação do grande artista. Chegará o dia em que os restantes clubes deixem o sr. Presidente do F.C.Porto a falar sozinho? Esse dia será um ponto de viragem.
quarta-feira, setembro 01, 2004
Será castigo?
Que Gilberto Madaíl gostava de sacudir a água do capote, já todos sabíamos.
Durante os últimos anos, o presidente da Federação surgiu como cabeça de cartaz de uma comédia trágica cujo cenário central será o seu gabinete, na Praça da Alegria. Aliás, cada vez menos se compreende qual é, de facto, o trabalho de Gilberto Madaíl na Federação. Isto porque nos últimos anos, o pseudo-presidente consegue sempre eloquentemente explicar que tudo o que acontece de mau não é da responsabilidade ele, enquanto que, curiosamente, surge sempre nos momentos de grande glória.
Afinal, que responsabilidade terá o presidente da Federação se a selecção A faz um péssimo campeonato do mundo? Se as condições do estágio não eram as indicadas? Se a equipa técnica era incompetente?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se a selecção de sub-21 destrói um balneário adversário? Ou se faz o país corar de vergonha nos Jogos Olímpicos?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se o Conselho de Arbitragem só tem 1 elemento em liberdade, devido a uma investigação judicial ao próprio futebol, que colocou em prisão preventiva os restantes membros?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se o estádio onde se disputa a final da Supertaça (competição sob a alçada da Liga) só tem 75% do campo relvado? E que nem se saiba com que bola irá ser jogada a partida a menos de 24 horas do apito inicial? E que seja sugerido o adiamento do jogo a poucos dias de jogos importantes para ambos os clubes finalistas.
Tudo seria normal se Gilberto Madaíl não fosse o responsável máximo da Federação, culpado de, pelo menos, ter escolhido quem provocou todos estes episódios.
Mas a ameaça já paira no ar. Depois do Conselho Superior de Desporto ter decidido pela redução da Super(?)liga a 16 clubes, o que implicaria que houvessem 4 clubes a serem despromovidos e apenas 2 a subir, o barbudo dirigente já disse que não contem com ele para que a vontade governamental seja cumprida. E chegamos ao ridículo do campeonato começar sem que a questão esteja esclarecida. Será na jornada 33?
Piéce de resistence do post e elemento catalizador da elaboração do mesmo: O homem, agora, lembrou-se de retirar as camisolas 5, 7 e 10 da selecção nacional. Sem querer perder tempo a pensar em quem será a donzela destinatária de tanta flor, pergunto-me: E o Eusébio? O Coluna? O Damas? O Chalana? O Futre? O Gomes? O Simões? O José Augusto? O Torres? O Morais, que até "eliminou" o Pélé? Imagino a constituição da equipa portugesa, daqui a 10 anos. De 1023 a 1034.
No horizonte, não se vislumbra o dia em que o veremos pelas costas. Será castigo?
Durante os últimos anos, o presidente da Federação surgiu como cabeça de cartaz de uma comédia trágica cujo cenário central será o seu gabinete, na Praça da Alegria. Aliás, cada vez menos se compreende qual é, de facto, o trabalho de Gilberto Madaíl na Federação. Isto porque nos últimos anos, o pseudo-presidente consegue sempre eloquentemente explicar que tudo o que acontece de mau não é da responsabilidade ele, enquanto que, curiosamente, surge sempre nos momentos de grande glória.
Afinal, que responsabilidade terá o presidente da Federação se a selecção A faz um péssimo campeonato do mundo? Se as condições do estágio não eram as indicadas? Se a equipa técnica era incompetente?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se a selecção de sub-21 destrói um balneário adversário? Ou se faz o país corar de vergonha nos Jogos Olímpicos?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se o Conselho de Arbitragem só tem 1 elemento em liberdade, devido a uma investigação judicial ao próprio futebol, que colocou em prisão preventiva os restantes membros?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se o estádio onde se disputa a final da Supertaça (competição sob a alçada da Liga) só tem 75% do campo relvado? E que nem se saiba com que bola irá ser jogada a partida a menos de 24 horas do apito inicial? E que seja sugerido o adiamento do jogo a poucos dias de jogos importantes para ambos os clubes finalistas.
Tudo seria normal se Gilberto Madaíl não fosse o responsável máximo da Federação, culpado de, pelo menos, ter escolhido quem provocou todos estes episódios.
Mas a ameaça já paira no ar. Depois do Conselho Superior de Desporto ter decidido pela redução da Super(?)liga a 16 clubes, o que implicaria que houvessem 4 clubes a serem despromovidos e apenas 2 a subir, o barbudo dirigente já disse que não contem com ele para que a vontade governamental seja cumprida. E chegamos ao ridículo do campeonato começar sem que a questão esteja esclarecida. Será na jornada 33?
Piéce de resistence do post e elemento catalizador da elaboração do mesmo: O homem, agora, lembrou-se de retirar as camisolas 5, 7 e 10 da selecção nacional. Sem querer perder tempo a pensar em quem será a donzela destinatária de tanta flor, pergunto-me: E o Eusébio? O Coluna? O Damas? O Chalana? O Futre? O Gomes? O Simões? O José Augusto? O Torres? O Morais, que até "eliminou" o Pélé? Imagino a constituição da equipa portugesa, daqui a 10 anos. De 1023 a 1034.
No horizonte, não se vislumbra o dia em que o veremos pelas costas. Será castigo?
sábado, julho 24, 2004
Paraty, MST
O grande Miguel Sousa Tavares descreve na sua semanal hemorragia de sangue azul nas páginas d'A Bola um episódio da sua última viagem.
Conta o iluminado cronista que, durante a sua passagem pela brasileira cidade de Paraty, encontrou 3 (três, a conta que Deus fez) habitantes vestidos à FCP, num universo de 4 mil habitantes. Porque é que esta curiosidade não tem nada de curioso, nem nada a ver com a tal globalização da agremiação das Antas?
Porque, como o próprio nome indica, a cidade tem grande influência tripeira, ou não tivesse o nome de um dos mais distinguidos adeptos azuis-e-brancos de que há memória, peça importante em algumas das conquistas internas do clube nos últimos anos. Falamos, claro, desse grande Tchaikovsky do apito, Paulo Paraty e não, obviamente, do seu irmão, também árbitro nos rinques de futsal.
Certamente, e isto especulo eu, Paraty (o árbitro, não a cidade), qual mix de missionário jesuíta e bandeirante, vagueia pelo Brasil nas horas vagas a fundar cidades, a distribuir roupa velha (leia-se camisolas do FCP) pela população e a fundar subsidiárias locais de uma conhecida agência de viagens, preparando o caminho (e as férias) para a geração seguinte dos seus colegas de profissão. Perante tal bondade, para quando a distinção com o Dragão de Ouro?
Conta o iluminado cronista que, durante a sua passagem pela brasileira cidade de Paraty, encontrou 3 (três, a conta que Deus fez) habitantes vestidos à FCP, num universo de 4 mil habitantes. Porque é que esta curiosidade não tem nada de curioso, nem nada a ver com a tal globalização da agremiação das Antas?
Porque, como o próprio nome indica, a cidade tem grande influência tripeira, ou não tivesse o nome de um dos mais distinguidos adeptos azuis-e-brancos de que há memória, peça importante em algumas das conquistas internas do clube nos últimos anos. Falamos, claro, desse grande Tchaikovsky do apito, Paulo Paraty e não, obviamente, do seu irmão, também árbitro nos rinques de futsal.
Certamente, e isto especulo eu, Paraty (o árbitro, não a cidade), qual mix de missionário jesuíta e bandeirante, vagueia pelo Brasil nas horas vagas a fundar cidades, a distribuir roupa velha (leia-se camisolas do FCP) pela população e a fundar subsidiárias locais de uma conhecida agência de viagens, preparando o caminho (e as férias) para a geração seguinte dos seus colegas de profissão. Perante tal bondade, para quando a distinção com o Dragão de Ouro?
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