Record.
Confesso que não tem sido fácil organizar ideias para poder escrever o que penso. Não faço disto profissão, nem espero algo que não seja a partilha de ideias entre adeptos do maior clube Português. Por se tratar disso mesmo, do maior clube Português, acho importante relembrar o respeito que lhe é devido.
Todos nós sabemos qual o impacto da imprensa desportiva na opinião das massas adeptas. Fenómeno dos países latinos, depressa conquistaram o seu espaço, ganhando o respeito dos leitores através de uma escola de jornalistas que primava, acima de tudo, pela seriedade e isenção.
Penso ser aqui que a coisa está a mudar. Deixando de ser um espaço de relato e de opinião sincera, os jornais desportivos foram-se tornando no principal meio de influência do universo de adeptos.
Entrou-se na selva das pseudo-notícias e das manchetes que valem dinheiro. A notícia, essa, tornou-se um artefacto, e é tanto ou mais importante, quanto o impacto que conseguir gerar.
Atente-se no caso do jornal que motivou estas linhas, o Record. Nos últimos anos, a equipa editorial foi mudando. Pouco a pouco, paulatinamente, o importante era não gerar ondas e atingir o figurino desejado. Para já, no sotaque é perceptível a proeminência dos Bês e a linha editorial é, no mínimo, discutivel.
Acho que até o mais desatento dos adeptos de futebol já se deve ter apercebido. Pelas contas dos senhores jornalistas do Record, o plantel do Benfica já deixou de contar com meia equipa, incluíndo todos os jogadores considerados fundamentais, por incapacidade na renovação de contratos, e contratou, pelo menos, mais uma mão-cheia de jogadores, à velocidade de quase um por dia, para a notíca ir durando. Afinal, e vistas bem as coisas, a notícia é sempre a mesma, só muda o nome do jogador...
Só que por vezes também vendem, como foi o caso do Miguel. Este jogador teve o mérito de suscitar o interesse da Juve sempre na véspera ou ante-véspera dos jogos do Benfica com o Anderlecht. O Benfica foi eliminado e, infeliz coincidência, a Juve perdeu o interesse... Acredito que irão voltar à carga nas vésperas de um derby. Não a Juve, mas outro qualquer, para a notícia parecer nova. Como convém...
Sobre as dispensas, a coisa então é mais rídicula. O Tiago, iria sair a custo zero, com o Manuel Fernandes seria impossível renovar, o Miguel tinha a saída mais que certa, o Sokota foi jogador do passado, já para não falar nos casos do Nuno Gomes, do Simão, do Petit, do João Pereira, do Za, etc, etc, etc...
Posto isto, pergunto-me eu, qual o critério que permite que um jornal que se diz sério, publicar tantas notícias que depois não têm correspondência factual? - Acima da venda pela venda, está o respeito mútuo. Os leitores merecem-no. O Benfica ainda mais.
PS: Passarei a tomar nota de todas as notícias de contratações, vendas e renovações publicadas por este jornal. Quero confirmar quantas corresponderão à verdade.
sábado, setembro 18, 2004
sexta-feira, setembro 17, 2004
Ou há moralidade ou comem todos
No seu editorial de 7 de Setembro, o prestável Manuel Tavares lembra-nos que a Superliga está viciada. Segundo o editor d'O Jogo, "vender as acções que detém no Estoril seria a melhor forma de José Veiga defender a imagem do Benfica e a transparência da SuperLiga".
José Veiga detém 80% do capital do Estoril-Praia, SAD. Também detém acções da Sport Lisboa e Benfica, Futebol, SAD, ocupando cargo de vulto na estrutura directiva do Benfica. De facto, Manuel Tavares terá alguma razão. Não fica, no mínimo, bem a José Veiga estar a jogar em 2 tabuleiros. Para além disso, é uma falha na sua imagem de dirigente empenhado no Benfica (e todos sabemos a força de um aglomerado de sócios benfiquistas).
Onde Manuel Tavares entra no domínio da patetice pegada é quando diz que esta singularidade afecta a transparência desportiva da Superliga. E a poucos dias de um jogo entre o clube de Manuel Tavares e o Estoril-Praia, este post surge como adequadíssimo.
Escreve, então, o senhor: "No dia em que o Benfica fosse campeão com um ponto de vantagem no final de uma SuperLiga em que, por hipótese, esse ponto a mais resultasse da contabilidade dos jogos com o Estoril, estaria lançada mais uma enorme vaga de suspeição sobre o futebol português. "
<Pausa para voltar à calma depois da gargalhada>
Em primeiro lugar, é extremamente redutor dizer-se que esse ponto resultaria de uma contabilidade dos jogos com o Estoril. A meu ver, até poderia ser já por causa do Braga, que até já fez o Porto perder pontos! Desculpar uma hipotética perca do título com apenas 1 jogo em 34 é surreal e só numa mentalidade pequenina e facciosa é que seria possível.
Depois, denota-se aqui algum temor. Já havíamos salientado que o Porto está a custar a pegar. Mas daí a temer os jogos com o Estoril, meu Deus! Então não é campeão Europeu? Tem obrigação de cilindrar o pobre Estoril-Praia nos 2 jogos. Se calhar, o Del Neri até estava feito com o José Veiga para estragar a equipa do Porto para os jogos com o Estoril. Não sei. Tudo é possível em certas redacções.
Por último, Manuel Tavares faltou ao respeito à equipa técnica e aos jogadores do Estoril, ao acusá-los, implicitamente, de falta de profissionalismo. Não acredito que nenhum jogador a este nível seja capaz de fazer o que este editorial sugere.
O que não vi, ainda, em nenhum artigo de opinião é uma crítica cabal à grande imoralidade das nossas ligas: os empréstimos. Os empréstimos são um dos ases de trunfos do Porto. Com os empréstimos faz-se de tudo. Compram-se jogadores, fazem-se pazes, controlam-se clubes, subidas e descidas de divisão. Poderia contra-argumentar-se a dizer que os jogadores emprestados também são profissionais. E são! Mas nunca jogam contra o clube de origem, o que também me parece uma aberracção.
Eis, pois, uma imoralidade muito maior do que a de José Veiga, o Benfica e o Estoril. Os últimos anos têm mostrado equipas B e C do Porto, como o Varzim, o U.Leiria ou a Académica. A solução para este problema? Simples. Moralidade. Empréstimos, só 3 por equipa, só a equipas de divisões diferentes e 2 delas sendo jogadores sub-23.
Afinal, ou há moralidade ou comem todos.
PS - Jorge Costa não foi convocado para o jogo com o Estoril, supostamente para descansar. Vamos lá ver se o Porto não perde pontos e depois perde o campeonato! Não vou perder a crónica do jogo, n'O Jogo, se houver surpresa!
José Veiga detém 80% do capital do Estoril-Praia, SAD. Também detém acções da Sport Lisboa e Benfica, Futebol, SAD, ocupando cargo de vulto na estrutura directiva do Benfica. De facto, Manuel Tavares terá alguma razão. Não fica, no mínimo, bem a José Veiga estar a jogar em 2 tabuleiros. Para além disso, é uma falha na sua imagem de dirigente empenhado no Benfica (e todos sabemos a força de um aglomerado de sócios benfiquistas).
Onde Manuel Tavares entra no domínio da patetice pegada é quando diz que esta singularidade afecta a transparência desportiva da Superliga. E a poucos dias de um jogo entre o clube de Manuel Tavares e o Estoril-Praia, este post surge como adequadíssimo.
Escreve, então, o senhor: "No dia em que o Benfica fosse campeão com um ponto de vantagem no final de uma SuperLiga em que, por hipótese, esse ponto a mais resultasse da contabilidade dos jogos com o Estoril, estaria lançada mais uma enorme vaga de suspeição sobre o futebol português. "
<Pausa para voltar à calma depois da gargalhada>
Em primeiro lugar, é extremamente redutor dizer-se que esse ponto resultaria de uma contabilidade dos jogos com o Estoril. A meu ver, até poderia ser já por causa do Braga, que até já fez o Porto perder pontos! Desculpar uma hipotética perca do título com apenas 1 jogo em 34 é surreal e só numa mentalidade pequenina e facciosa é que seria possível.
Depois, denota-se aqui algum temor. Já havíamos salientado que o Porto está a custar a pegar. Mas daí a temer os jogos com o Estoril, meu Deus! Então não é campeão Europeu? Tem obrigação de cilindrar o pobre Estoril-Praia nos 2 jogos. Se calhar, o Del Neri até estava feito com o José Veiga para estragar a equipa do Porto para os jogos com o Estoril. Não sei. Tudo é possível em certas redacções.
Por último, Manuel Tavares faltou ao respeito à equipa técnica e aos jogadores do Estoril, ao acusá-los, implicitamente, de falta de profissionalismo. Não acredito que nenhum jogador a este nível seja capaz de fazer o que este editorial sugere.
O que não vi, ainda, em nenhum artigo de opinião é uma crítica cabal à grande imoralidade das nossas ligas: os empréstimos. Os empréstimos são um dos ases de trunfos do Porto. Com os empréstimos faz-se de tudo. Compram-se jogadores, fazem-se pazes, controlam-se clubes, subidas e descidas de divisão. Poderia contra-argumentar-se a dizer que os jogadores emprestados também são profissionais. E são! Mas nunca jogam contra o clube de origem, o que também me parece uma aberracção.
Eis, pois, uma imoralidade muito maior do que a de José Veiga, o Benfica e o Estoril. Os últimos anos têm mostrado equipas B e C do Porto, como o Varzim, o U.Leiria ou a Académica. A solução para este problema? Simples. Moralidade. Empréstimos, só 3 por equipa, só a equipas de divisões diferentes e 2 delas sendo jogadores sub-23.
Afinal, ou há moralidade ou comem todos.
PS - Jorge Costa não foi convocado para o jogo com o Estoril, supostamente para descansar. Vamos lá ver se o Porto não perde pontos e depois perde o campeonato! Não vou perder a crónica do jogo, n'O Jogo, se houver surpresa!
terça-feira, setembro 14, 2004
Ossos do ofício.
Pronto. Começou o regabofe.
Alexandre Pais, mais um, desse universo iluminado que forma a pândega de jornalistas do Record, teve uma saída brilhante. No seu artigo de opinião, "Os três anjos",critíca o Trapattoni por ter razão. Peseiro e Fernandez por não reclamarem penalties.
Ora aqui está um bom critério. Não sei se o seu jornal vive em dificuldades financeiras, mas fica claramente demonstrado que o que é preciso é agitar as águas. Não de qualquer forma, mas da melhor maneira. Desde que se venda jornais. Senão vejamos:
- No Benfica, nada melhor do que colocar os sócios contra o treinador. Homem conceituado, sem provas a dar a ninguém, teve o terrivel defeito de ter razão contra o Moreirense (há algo que venda mais do que a subsituição de treinador do Benfica?). Pois é, contra o Beira-Mar, ao Benfica foi sonegado um penalty, mas aí ninguém falou. Não tivesse o Benfica sido melhor em campo e marcado mais golos do que o adversário, e estávamos nesta altura dentro da normalidade das épocas anteriores.
- O Porto. Grande exibição. Golpes de táctita a fazerem esquecer completamente o Mourinho, um golo que acontece de ano a ano, um remate à baliza do Braga durante a segunda parte, e no final, sobra o penalty não assinalado. Repare-se que apenas um jogador de campo do Porto reclamou na altura. Sabendo nós como sabemos, da educação que estes jogadores têm quando falam com os árbitros, parece-me que não foi apenas o árbitro a não ver o lance .Desabafos do McCArthy? (para a imprensa estás morto, rapaz. Mordeste ao dono, espera pela reacção da matilha...) - Declarações do Costinha? - Tudo normal para esta gente!
- O Sporting. Outro desafio que deve figurar nos compêndios da boa táctica futebolística. A substituição de Tinga na primeira parte, o Miguel Garcia, o Pinilla, a dupla de centrais, que maravilha! - Como é bom ver uma equipa trocar a bola 20 vezes no meio campo e progredir 3 metros! - Aquilo sim, é futebol!!. Não admira pois, que a jogar desta maneira, o Sporting não tivesse ganho por culpa do árbtitro. Confundiu o Meyong com o Liedson e pronto, lá marcou o penalty da ordem que é costumeiro marcar sobre este jogador. Como é possível o descaramento!
Em jeito de conclusão, parece-me que erros do árbitro, só se toleram contra o Benfica. Estes nunca servem de desculpa quando a equipa não ganha. A culpa é só do treinador. E quando se ganha, a culpa também é dele, pois devia-se ter ganho por mais.
Nos outros dois, a lógica inverte-se. Quando não ganham, a culpa não é deles. São culpados sim, de mostrar fairplay e de não culpar o árbitro!
É assim a vida no futebol cá do burgo. Destabiliza-se o Benfica, perdoam-se os outros (através de críticas com segundas intenções) e os jornais vão-se vendendo ao sabor do vento...
Os cães do dono agitam-se para conseguirem as melhores festas. Com alguma sorte, conseguirão um ossito...
Alexandre Pais, mais um, desse universo iluminado que forma a pândega de jornalistas do Record, teve uma saída brilhante. No seu artigo de opinião, "Os três anjos",critíca o Trapattoni por ter razão. Peseiro e Fernandez por não reclamarem penalties.
Ora aqui está um bom critério. Não sei se o seu jornal vive em dificuldades financeiras, mas fica claramente demonstrado que o que é preciso é agitar as águas. Não de qualquer forma, mas da melhor maneira. Desde que se venda jornais. Senão vejamos:
- No Benfica, nada melhor do que colocar os sócios contra o treinador. Homem conceituado, sem provas a dar a ninguém, teve o terrivel defeito de ter razão contra o Moreirense (há algo que venda mais do que a subsituição de treinador do Benfica?). Pois é, contra o Beira-Mar, ao Benfica foi sonegado um penalty, mas aí ninguém falou. Não tivesse o Benfica sido melhor em campo e marcado mais golos do que o adversário, e estávamos nesta altura dentro da normalidade das épocas anteriores.
- O Porto. Grande exibição. Golpes de táctita a fazerem esquecer completamente o Mourinho, um golo que acontece de ano a ano, um remate à baliza do Braga durante a segunda parte, e no final, sobra o penalty não assinalado. Repare-se que apenas um jogador de campo do Porto reclamou na altura. Sabendo nós como sabemos, da educação que estes jogadores têm quando falam com os árbitros, parece-me que não foi apenas o árbitro a não ver o lance .Desabafos do McCArthy? (para a imprensa estás morto, rapaz. Mordeste ao dono, espera pela reacção da matilha...) - Declarações do Costinha? - Tudo normal para esta gente!
- O Sporting. Outro desafio que deve figurar nos compêndios da boa táctica futebolística. A substituição de Tinga na primeira parte, o Miguel Garcia, o Pinilla, a dupla de centrais, que maravilha! - Como é bom ver uma equipa trocar a bola 20 vezes no meio campo e progredir 3 metros! - Aquilo sim, é futebol!!. Não admira pois, que a jogar desta maneira, o Sporting não tivesse ganho por culpa do árbtitro. Confundiu o Meyong com o Liedson e pronto, lá marcou o penalty da ordem que é costumeiro marcar sobre este jogador. Como é possível o descaramento!
Em jeito de conclusão, parece-me que erros do árbitro, só se toleram contra o Benfica. Estes nunca servem de desculpa quando a equipa não ganha. A culpa é só do treinador. E quando se ganha, a culpa também é dele, pois devia-se ter ganho por mais.
Nos outros dois, a lógica inverte-se. Quando não ganham, a culpa não é deles. São culpados sim, de mostrar fairplay e de não culpar o árbitro!
É assim a vida no futebol cá do burgo. Destabiliza-se o Benfica, perdoam-se os outros (através de críticas com segundas intenções) e os jornais vão-se vendendo ao sabor do vento...
Os cães do dono agitam-se para conseguirem as melhores festas. Com alguma sorte, conseguirão um ossito...
segunda-feira, setembro 13, 2004
Trap, o condenado
Pois é, penso que não há volta a dar.
Perde-se a margem de confiança e desde logo começam os erros em catadupa. É assim com toda a gente, e com Trapattoni ainda mais. Ou não fosse ele o treinador do Benfica...
Atente-se neste pequeno exemplo. O Sr. Luis Mateus, escreve no diário MaisFutebol, um comentário elogioso ao novo potagonismo que Petit está a assumir na equipa. Chama-lhe este senhor "Petit, o novo 8".
No comentário (rubrica "Sobe & Desce") são descritas as novas funções do jogador, o seu novo posicionamente em campo, o seu protagonismo atacante e inclusivé, a sua veia goleadora. Se até aqui nada de novo, o comentário termina com um brilhante PS. Para espanto dos espantos, a responsabilidade do novo posicionamento em campo de Petit é de, adivinhe-se... Jesualdo Ferreira!!!
Pois é caros amigos. Não há volta a dar. A partir de uma certa altura, uma pessoa está fadada a só cometer erros. Trapattoni não foge à regra. Aliás, penso que é mesmo o exemplo mais paradigmático do que acabo de escrever. Desde o jogo na Bégica que o homem nunca mais fez nada certo! - Até as substituições que mataram o jogo com o Moreirense (e que meteram 30.000 assobios no saco), foram fruto do acaso. Sim, porque a coloção do Miguel como extremo direito resultou de um lapso linguístico entre o Português do João Pereira e o Italiano espanholado do Trap...
Para terminar, resta-me acrescentar que tivemos sorte. Se há dois anos, o homem não se lembrasse de estar atento a todos os jogos do Benfica, para aprender com as tácticas do Jesualdo, provalvelmente estariamos nos últimos lugares a olhar de baixo as excelentes exibições bimbicas e lagartáceas, autênticos tratados de boa teoria futebolística levada à pratica!
Perde-se a margem de confiança e desde logo começam os erros em catadupa. É assim com toda a gente, e com Trapattoni ainda mais. Ou não fosse ele o treinador do Benfica...
Atente-se neste pequeno exemplo. O Sr. Luis Mateus, escreve no diário MaisFutebol, um comentário elogioso ao novo potagonismo que Petit está a assumir na equipa. Chama-lhe este senhor "Petit, o novo 8".
No comentário (rubrica "Sobe & Desce") são descritas as novas funções do jogador, o seu novo posicionamente em campo, o seu protagonismo atacante e inclusivé, a sua veia goleadora. Se até aqui nada de novo, o comentário termina com um brilhante PS. Para espanto dos espantos, a responsabilidade do novo posicionamento em campo de Petit é de, adivinhe-se... Jesualdo Ferreira!!!
Pois é caros amigos. Não há volta a dar. A partir de uma certa altura, uma pessoa está fadada a só cometer erros. Trapattoni não foge à regra. Aliás, penso que é mesmo o exemplo mais paradigmático do que acabo de escrever. Desde o jogo na Bégica que o homem nunca mais fez nada certo! - Até as substituições que mataram o jogo com o Moreirense (e que meteram 30.000 assobios no saco), foram fruto do acaso. Sim, porque a coloção do Miguel como extremo direito resultou de um lapso linguístico entre o Português do João Pereira e o Italiano espanholado do Trap...
Para terminar, resta-me acrescentar que tivemos sorte. Se há dois anos, o homem não se lembrasse de estar atento a todos os jogos do Benfica, para aprender com as tácticas do Jesualdo, provalvelmente estariamos nos últimos lugares a olhar de baixo as excelentes exibições bimbicas e lagartáceas, autênticos tratados de boa teoria futebolística levada à pratica!
segunda-feira, setembro 06, 2004
Truques de magia
Dizem os mágicos que os truques se baseiam na capacidade de atrair a atenção do espectador para algo que não lhe permita ver o truque, em si. Esta arte foi, nos últimos 20 anos, aplicada com grande mestria à gestão futebolística na pessoa do sr. Presidente do F.C.Porto.
Este facto leva-nos a um paradoxo intrigante. Sendo certo e sabido, mais do que a velhinha lei de Newton de que tudo o que sobe tem que descer, que sempre que algo não está bem para os lados das (ex-)Antas algo pior acontece aos outros 2 candidatos, é para os 2 candidatos mais interessante que o F.C.Porto esteja bem. O problema de tudo isto é que não está. O sr. Presidente do F.C.Porto já fez o mesmo truque tantas vezes que até os espectadores menos perspicazes já conseguem identificar as manobras de diversão utilizadas.
A tristonha vitória sobre o Benfica na Supertaça não apaga 90 minutos sem grande chama e a derrota na Supertaça Europeia só não surpreende quem ainda acredita no Pai Natal. Justificam os entendidos, especialmente os de sangue azul-e-branco com assento na comunicação social especializada, que a culpa foi de Del Neri. Afinal, Del Neri era um vilão completo. Racista, incompetente, atrasando-se com frequência para os seus compromissos, retrógrado na forma como dirige a equipa. Teve, inclusivamente, a ousadia de querer dispensar McCarthy, melhor marcador da Superliga e de shots em Vigo. E também Jankauskas, esse suplente de luxo, titularíssimo de águia ao peito.
A hipotética incompetência de Del Neri leva-nos a 2 cenários possíveis: Se Del Neri era realmente incompetente, então a culpa de uma pré-época atribulada não morre solteira, porque foi o sr. Presidente do Porto que o escolheu e que o definiu como novo Mourinho. Se Del Neri não era incompetente, então a culpa morrerá solteira na pessoa do sr. Presidente do Porto. Aliás, qq accionista da SAD campeã europeia, com um mínimo de bom senso, estaria muito preocupado com o despedimento de um treinador na pré-época.
Se ainda havia dúvidas sobre qual o cenário mais plausível, a verdade é que a notícia da venda em saldo de McCarthy ao Everton veio dissipar dúvidas. E com a saída também de Jankauskas e Rossato, a verdade veio completamente à tona. O F.C.Porto está completamente à deriva, ironicamente num mar de euros. Todos os jogadores que foram referidos como dispensados por Del Neri receberam, de facto, guia de marcha. Houve 2 contratações que não chegaram sequer à época oficial (Rossato e Paulo Assunção). E Del Neri não pode ser o único culpado de tudo isto.
Ora, estando a novela azul-e-branca practicamente em ponto de rebuçado é tempo de se confirmar a lei: "É melhor para os clubes de Lisboa que o F.C.Porto esteja bem". E aí está a primeira reacção no patético caso gerado à volta de Álvaro Magalhães. Um diálogo perfeitamente casual e, quero acreditar, registado inadvertidamente pela SportTV transformado num melodrama de contornos trágicos pelo pasquim das Antas. E eis que os focos da atenção se debruçam agora no Benfica que, rapidamente, se apressa a manifestar a sua repulsa (provavelmente não quiseram dizer nojo, mas eu digo) pela notícia. Pena só que o Benfica não tenha conseguido imunizar-se a estas questões e que Álvaro tenha feito um dispensável comentário sobre "acomodados".
E ninguém mais se lembra da costela Nostradamus de Del Neri ao adivinhar as dispensas, de McCarthy a queixar-se na África do Sul, dos 2 milhões de euros de Paulo Assunção, de Rossato a sair para a Real Sociedad, da pobre exibição com o Benfica, da Supertaça Europeia ou dos gastos desmensurados em jogadores da mesma posição. O F.C.Porto passou de ter 5 defesas-esquerdos para 3 números 10.
Em primeira análise, diria que o truque teve mais uma vez sucesso. E que, no fim, se ouviram alguns, cada vez menos, aplausos à prestação do grande artista. Chegará o dia em que os restantes clubes deixem o sr. Presidente do F.C.Porto a falar sozinho? Esse dia será um ponto de viragem.
Este facto leva-nos a um paradoxo intrigante. Sendo certo e sabido, mais do que a velhinha lei de Newton de que tudo o que sobe tem que descer, que sempre que algo não está bem para os lados das (ex-)Antas algo pior acontece aos outros 2 candidatos, é para os 2 candidatos mais interessante que o F.C.Porto esteja bem. O problema de tudo isto é que não está. O sr. Presidente do F.C.Porto já fez o mesmo truque tantas vezes que até os espectadores menos perspicazes já conseguem identificar as manobras de diversão utilizadas.
A tristonha vitória sobre o Benfica na Supertaça não apaga 90 minutos sem grande chama e a derrota na Supertaça Europeia só não surpreende quem ainda acredita no Pai Natal. Justificam os entendidos, especialmente os de sangue azul-e-branco com assento na comunicação social especializada, que a culpa foi de Del Neri. Afinal, Del Neri era um vilão completo. Racista, incompetente, atrasando-se com frequência para os seus compromissos, retrógrado na forma como dirige a equipa. Teve, inclusivamente, a ousadia de querer dispensar McCarthy, melhor marcador da Superliga e de shots em Vigo. E também Jankauskas, esse suplente de luxo, titularíssimo de águia ao peito.
A hipotética incompetência de Del Neri leva-nos a 2 cenários possíveis: Se Del Neri era realmente incompetente, então a culpa de uma pré-época atribulada não morre solteira, porque foi o sr. Presidente do Porto que o escolheu e que o definiu como novo Mourinho. Se Del Neri não era incompetente, então a culpa morrerá solteira na pessoa do sr. Presidente do Porto. Aliás, qq accionista da SAD campeã europeia, com um mínimo de bom senso, estaria muito preocupado com o despedimento de um treinador na pré-época.
Se ainda havia dúvidas sobre qual o cenário mais plausível, a verdade é que a notícia da venda em saldo de McCarthy ao Everton veio dissipar dúvidas. E com a saída também de Jankauskas e Rossato, a verdade veio completamente à tona. O F.C.Porto está completamente à deriva, ironicamente num mar de euros. Todos os jogadores que foram referidos como dispensados por Del Neri receberam, de facto, guia de marcha. Houve 2 contratações que não chegaram sequer à época oficial (Rossato e Paulo Assunção). E Del Neri não pode ser o único culpado de tudo isto.
Ora, estando a novela azul-e-branca practicamente em ponto de rebuçado é tempo de se confirmar a lei: "É melhor para os clubes de Lisboa que o F.C.Porto esteja bem". E aí está a primeira reacção no patético caso gerado à volta de Álvaro Magalhães. Um diálogo perfeitamente casual e, quero acreditar, registado inadvertidamente pela SportTV transformado num melodrama de contornos trágicos pelo pasquim das Antas. E eis que os focos da atenção se debruçam agora no Benfica que, rapidamente, se apressa a manifestar a sua repulsa (provavelmente não quiseram dizer nojo, mas eu digo) pela notícia. Pena só que o Benfica não tenha conseguido imunizar-se a estas questões e que Álvaro tenha feito um dispensável comentário sobre "acomodados".
E ninguém mais se lembra da costela Nostradamus de Del Neri ao adivinhar as dispensas, de McCarthy a queixar-se na África do Sul, dos 2 milhões de euros de Paulo Assunção, de Rossato a sair para a Real Sociedad, da pobre exibição com o Benfica, da Supertaça Europeia ou dos gastos desmensurados em jogadores da mesma posição. O F.C.Porto passou de ter 5 defesas-esquerdos para 3 números 10.
Em primeira análise, diria que o truque teve mais uma vez sucesso. E que, no fim, se ouviram alguns, cada vez menos, aplausos à prestação do grande artista. Chegará o dia em que os restantes clubes deixem o sr. Presidente do F.C.Porto a falar sozinho? Esse dia será um ponto de viragem.
quarta-feira, setembro 01, 2004
Será castigo?
Que Gilberto Madaíl gostava de sacudir a água do capote, já todos sabíamos.
Durante os últimos anos, o presidente da Federação surgiu como cabeça de cartaz de uma comédia trágica cujo cenário central será o seu gabinete, na Praça da Alegria. Aliás, cada vez menos se compreende qual é, de facto, o trabalho de Gilberto Madaíl na Federação. Isto porque nos últimos anos, o pseudo-presidente consegue sempre eloquentemente explicar que tudo o que acontece de mau não é da responsabilidade ele, enquanto que, curiosamente, surge sempre nos momentos de grande glória.
Afinal, que responsabilidade terá o presidente da Federação se a selecção A faz um péssimo campeonato do mundo? Se as condições do estágio não eram as indicadas? Se a equipa técnica era incompetente?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se a selecção de sub-21 destrói um balneário adversário? Ou se faz o país corar de vergonha nos Jogos Olímpicos?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se o Conselho de Arbitragem só tem 1 elemento em liberdade, devido a uma investigação judicial ao próprio futebol, que colocou em prisão preventiva os restantes membros?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se o estádio onde se disputa a final da Supertaça (competição sob a alçada da Liga) só tem 75% do campo relvado? E que nem se saiba com que bola irá ser jogada a partida a menos de 24 horas do apito inicial? E que seja sugerido o adiamento do jogo a poucos dias de jogos importantes para ambos os clubes finalistas.
Tudo seria normal se Gilberto Madaíl não fosse o responsável máximo da Federação, culpado de, pelo menos, ter escolhido quem provocou todos estes episódios.
Mas a ameaça já paira no ar. Depois do Conselho Superior de Desporto ter decidido pela redução da Super(?)liga a 16 clubes, o que implicaria que houvessem 4 clubes a serem despromovidos e apenas 2 a subir, o barbudo dirigente já disse que não contem com ele para que a vontade governamental seja cumprida. E chegamos ao ridículo do campeonato começar sem que a questão esteja esclarecida. Será na jornada 33?
Piéce de resistence do post e elemento catalizador da elaboração do mesmo: O homem, agora, lembrou-se de retirar as camisolas 5, 7 e 10 da selecção nacional. Sem querer perder tempo a pensar em quem será a donzela destinatária de tanta flor, pergunto-me: E o Eusébio? O Coluna? O Damas? O Chalana? O Futre? O Gomes? O Simões? O José Augusto? O Torres? O Morais, que até "eliminou" o Pélé? Imagino a constituição da equipa portugesa, daqui a 10 anos. De 1023 a 1034.
No horizonte, não se vislumbra o dia em que o veremos pelas costas. Será castigo?
Durante os últimos anos, o presidente da Federação surgiu como cabeça de cartaz de uma comédia trágica cujo cenário central será o seu gabinete, na Praça da Alegria. Aliás, cada vez menos se compreende qual é, de facto, o trabalho de Gilberto Madaíl na Federação. Isto porque nos últimos anos, o pseudo-presidente consegue sempre eloquentemente explicar que tudo o que acontece de mau não é da responsabilidade ele, enquanto que, curiosamente, surge sempre nos momentos de grande glória.
Afinal, que responsabilidade terá o presidente da Federação se a selecção A faz um péssimo campeonato do mundo? Se as condições do estágio não eram as indicadas? Se a equipa técnica era incompetente?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se a selecção de sub-21 destrói um balneário adversário? Ou se faz o país corar de vergonha nos Jogos Olímpicos?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se o Conselho de Arbitragem só tem 1 elemento em liberdade, devido a uma investigação judicial ao próprio futebol, que colocou em prisão preventiva os restantes membros?
Que responsabilidade terá o presidente da Federação se o estádio onde se disputa a final da Supertaça (competição sob a alçada da Liga) só tem 75% do campo relvado? E que nem se saiba com que bola irá ser jogada a partida a menos de 24 horas do apito inicial? E que seja sugerido o adiamento do jogo a poucos dias de jogos importantes para ambos os clubes finalistas.
Tudo seria normal se Gilberto Madaíl não fosse o responsável máximo da Federação, culpado de, pelo menos, ter escolhido quem provocou todos estes episódios.
Mas a ameaça já paira no ar. Depois do Conselho Superior de Desporto ter decidido pela redução da Super(?)liga a 16 clubes, o que implicaria que houvessem 4 clubes a serem despromovidos e apenas 2 a subir, o barbudo dirigente já disse que não contem com ele para que a vontade governamental seja cumprida. E chegamos ao ridículo do campeonato começar sem que a questão esteja esclarecida. Será na jornada 33?
Piéce de resistence do post e elemento catalizador da elaboração do mesmo: O homem, agora, lembrou-se de retirar as camisolas 5, 7 e 10 da selecção nacional. Sem querer perder tempo a pensar em quem será a donzela destinatária de tanta flor, pergunto-me: E o Eusébio? O Coluna? O Damas? O Chalana? O Futre? O Gomes? O Simões? O José Augusto? O Torres? O Morais, que até "eliminou" o Pélé? Imagino a constituição da equipa portugesa, daqui a 10 anos. De 1023 a 1034.
No horizonte, não se vislumbra o dia em que o veremos pelas costas. Será castigo?
sábado, julho 24, 2004
Paraty, MST
O grande Miguel Sousa Tavares descreve na sua semanal hemorragia de sangue azul nas páginas d'A Bola um episódio da sua última viagem.
Conta o iluminado cronista que, durante a sua passagem pela brasileira cidade de Paraty, encontrou 3 (três, a conta que Deus fez) habitantes vestidos à FCP, num universo de 4 mil habitantes. Porque é que esta curiosidade não tem nada de curioso, nem nada a ver com a tal globalização da agremiação das Antas?
Porque, como o próprio nome indica, a cidade tem grande influência tripeira, ou não tivesse o nome de um dos mais distinguidos adeptos azuis-e-brancos de que há memória, peça importante em algumas das conquistas internas do clube nos últimos anos. Falamos, claro, desse grande Tchaikovsky do apito, Paulo Paraty e não, obviamente, do seu irmão, também árbitro nos rinques de futsal.
Certamente, e isto especulo eu, Paraty (o árbitro, não a cidade), qual mix de missionário jesuíta e bandeirante, vagueia pelo Brasil nas horas vagas a fundar cidades, a distribuir roupa velha (leia-se camisolas do FCP) pela população e a fundar subsidiárias locais de uma conhecida agência de viagens, preparando o caminho (e as férias) para a geração seguinte dos seus colegas de profissão. Perante tal bondade, para quando a distinção com o Dragão de Ouro?
Conta o iluminado cronista que, durante a sua passagem pela brasileira cidade de Paraty, encontrou 3 (três, a conta que Deus fez) habitantes vestidos à FCP, num universo de 4 mil habitantes. Porque é que esta curiosidade não tem nada de curioso, nem nada a ver com a tal globalização da agremiação das Antas?
Porque, como o próprio nome indica, a cidade tem grande influência tripeira, ou não tivesse o nome de um dos mais distinguidos adeptos azuis-e-brancos de que há memória, peça importante em algumas das conquistas internas do clube nos últimos anos. Falamos, claro, desse grande Tchaikovsky do apito, Paulo Paraty e não, obviamente, do seu irmão, também árbitro nos rinques de futsal.
Certamente, e isto especulo eu, Paraty (o árbitro, não a cidade), qual mix de missionário jesuíta e bandeirante, vagueia pelo Brasil nas horas vagas a fundar cidades, a distribuir roupa velha (leia-se camisolas do FCP) pela população e a fundar subsidiárias locais de uma conhecida agência de viagens, preparando o caminho (e as férias) para a geração seguinte dos seus colegas de profissão. Perante tal bondade, para quando a distinção com o Dragão de Ouro?
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