José Manuel Delgado escreve, n'A Bola de 27/10/2004 um interessante artigo sobre o proteccionismo obsessivo das entidades reguladoras da arbitragem.
Prevaricador-pagador
Se Benquerença e auxiliares não podem ser penalizados pelo que aconteceu mas não viram, será que Mário Mendes e auxiliares podem ser penalizados pelo que viram mas não aconteceu? Os árbitros devem estar sujeitos ao princípio do prevaricador-pagador
REPITO uma ideia que me parece de elementar justiça: os árbitros da actual geração são, genericamente, bacteriologicamente mais puros que os antecessores imediatos, menos permeáveis a sugestões, mais senhores do seu nariz e feitos de uma massa mais consistente, nas várias vertentes que importam ao caso, ou seja, na preparação técnica e física, na valia académica e na abordagem clean que fazem aos jogos. Daí que, depois de anos a fio de pé atrás relativamente aos enganos dos árbitros, esteja agora razoavelmente certo de que a má fé do passado já não tem repetição e os erros que vão surgindo se fundam em algo que não tem a ver com as redes organizadas que marcaram o final da década de 80 e os princípios da década de 90 e tiveram tradução prática na irradiação de Francisco Silva e na condenação de José Guímaro.
Em plena crise da arbitragem nacional, com o Benfica justificadamente em pé de guerra e o Sporting sempre a suspeitar das intenções do sistema, julgo ser este o momento de identificar alguns erros que têm sido sistematicamente cometidos pelos responsáveis da arbitragem que, num afã doentio, alegadamente em defesa dos árbitros, mais não têm feito que contribuir para o seu descrédito. Por uma questão de actualidade, que tal puxarmos o filme atrás e debatermos os jogos do Benfica com o FC Porto e o Nacional?
No clássico, Olegário Benquerença (que considero um homem honesto e um árbitro de qualidade, merecedor das insígnias da FIFA, que ostenta) falhou em dois casos: na grande penalidade de Seitaridis, por culpa própria, e no golo de Petit, por mau desempenho do auxiliar (ao contrário do que foi escrito, o árbitro assistente tinha obrigação!!! de ver que Baía foi buscar a bola dentro da baliza, sem que para isso precisasse de estar em cima da linha de fundo). Em suma, um trabalho deficiente da equipa de arbitragem gerou um resultado desvirtuado, algo que, para o futebol, é... devastador. Ora, em vez de esta situação ser assumida, com maturidade, pela Comissão de Arbitragem da Liga, o seu presidente saiu a terreiro para defender, penosamente, o indefensável, enredando-se em argumentos ridículos que acabaram por virar-se contra a classe.
Depois, após a divulgação, pelo jornal O Jogo, da nota do árbitro, foi a vez de a APAF desatar aos tiros nos pés, histérica com a fragilização que daí podia decorrer para os seus filiados. Será que nem Luís Guilherme nem Vítor Reis percebem que, quanto mais se souber que os erros dos árbitros são penalizados (logo dessacralizados e desdramatizados), mais fácil se torna o seu dia-a-dia? Será que nem a Comissão de Arbitragem da Liga nem a APAF percebem que, de tanto quererem proteger os árbitros, estão a assassinar a sua credibilidade? Neste caso a aplicação do princípio do prevaricador-pagador é a única aceitável, a única, aliás, que pode fazer a diferença entre os árbitros que erram muito e aqueles que erram menos, a única que descansa não só os agentes do futebol mas, sobretudo, o povo do futebol, quanto à verdade que rodeia os jogos e os resultados.
No Benfica-Nacional, Mário Mendes enganou-se, ao ver o que não aconteceu, já que ninguém tocou na bola rematada por Alexandre Goulart. Pergunta à CA da Liga e à APAF: se Benquerença e auxiliares não podem ser penalizados pelo que aconteceu mas não viram, será que Mário Mendes e auxiliares podem ser penalizados pelo que viram mas não aconteceu?
Meus senhores, os árbitros são o elo mais fraco. Defendam-nos como deve ser!
quinta-feira, outubro 28, 2004
quarta-feira, outubro 20, 2004
Ou há moralidade ou comem todos (parte 2)
No dia 17 de Setembro, rebatemos aqui no Anti-anti-Benfica, um artigo do editor d'O Jogo, sobre a alegada imoralidade do Benfica poder vir a ganhar o campeonato graças a uma diferença pontual que resultava directamente dos pontos conquistados frente ao Estoril Praia.
Alegava o senhor, que isso não cheirava bem, uma vez que toda a gente sabe a posição que o José Veiga tem nas SAD Estorilista.
Depois do que assistimos no último fim de semana, gostava de saber qual a opinião do mesmo senhor, sobre o facto do FCP poder vir a conquistar o campeonato, graças à não validação de um golo limpo e que de facto existiu?
É que ao contrário dos fantasmas que o Sr. Manuel Tavares começava a vislumbrar, este golo existiu e só não contou devido à desonestidade das criaturas de preto que deviam ter arbitrado o encontro em vez de o ter influenciado...
Alegava o senhor, que isso não cheirava bem, uma vez que toda a gente sabe a posição que o José Veiga tem nas SAD Estorilista.
Depois do que assistimos no último fim de semana, gostava de saber qual a opinião do mesmo senhor, sobre o facto do FCP poder vir a conquistar o campeonato, graças à não validação de um golo limpo e que de facto existiu?
É que ao contrário dos fantasmas que o Sr. Manuel Tavares começava a vislumbrar, este golo existiu e só não contou devido à desonestidade das criaturas de preto que deviam ter arbitrado o encontro em vez de o ter influenciado...
Vamos lá falar em saber receber...
Durante as duas semanas que antecederam o Benfica-Porto do dia 17 de Outubro, não foram poucas as vezes que me assolou a recordação de um tal guarda Abel. Para quem não se lembra, esta figura sinistra ligada ao FCP e, mais concretamente, ao seu inenarrável presidente, tornou-se célebre pelas práticas de intimidação que foi espalhando pelos diferentes estádios do país, sempre que acompanhava a equipa.
É enorme a hipocrisía nas declarações de alguns responsáveis portistas sobre o receber bem e dentro das regras. Rezam as crónicas da altura (1990/1991) que tanto o Benfica como o Sporting foram recebidos com ameaças de morte e gases tóxicos no balneários das Antas, tendo as equipas visitantes de se equipar nos corredores de acesso ao relvado. Se isto é o conceito de bem receber, de acordo com as gentes do FCP, alegremente me felicito pelo facto do Benfica não entrar em jogadas do género.
Isto tudo para trazer à baila um excelente artigo do Correio da Manhã, sobre o ressurgimento da sinistra figura do guarda Abel. Quem esteve atento à transmição televisiva, certamente não terá deixado de reparar que durante o tempo de antena a que Carolina Salgado teve direito, foi constante a presença de um careca de meia idade, com bigode, que parecia tudo menos um Superescarreta.
Sou forçado a conlcuir que afinal, em cerca e 15 anoas, as coisas não mudaram muito. Também nessa altura muitos inquéritos foram metidos dentro de gavetas sem fundo, prevalecendo sempre a lei dos foras-da-lei. Este é o estado marginal do futebol português, decidido, quem sabe (a opinião é minha!), em muitos bares de alterne, em noitadas de definição de estratégias bem regadas a champagne.
Passem pelo artigo do Correio da Manhã. Mesmo depois de tanto tempo, há coisas que permanecem muito actuais. Para vos aguçar a curiosidade, deixo-vos uma pequena passagem:
Elucidativo, não acham?
É enorme a hipocrisía nas declarações de alguns responsáveis portistas sobre o receber bem e dentro das regras. Rezam as crónicas da altura (1990/1991) que tanto o Benfica como o Sporting foram recebidos com ameaças de morte e gases tóxicos no balneários das Antas, tendo as equipas visitantes de se equipar nos corredores de acesso ao relvado. Se isto é o conceito de bem receber, de acordo com as gentes do FCP, alegremente me felicito pelo facto do Benfica não entrar em jogadas do género.
Isto tudo para trazer à baila um excelente artigo do Correio da Manhã, sobre o ressurgimento da sinistra figura do guarda Abel. Quem esteve atento à transmição televisiva, certamente não terá deixado de reparar que durante o tempo de antena a que Carolina Salgado teve direito, foi constante a presença de um careca de meia idade, com bigode, que parecia tudo menos um Superescarreta.
Sou forçado a conlcuir que afinal, em cerca e 15 anoas, as coisas não mudaram muito. Também nessa altura muitos inquéritos foram metidos dentro de gavetas sem fundo, prevalecendo sempre a lei dos foras-da-lei. Este é o estado marginal do futebol português, decidido, quem sabe (a opinião é minha!), em muitos bares de alterne, em noitadas de definição de estratégias bem regadas a champagne.
Passem pelo artigo do Correio da Manhã. Mesmo depois de tanto tempo, há coisas que permanecem muito actuais. Para vos aguçar a curiosidade, deixo-vos uma pequena passagem:
"Houve um repórter fotográfico que fotografou a nossa equipa a vestir-se num corredor, porque puseram um produto tóxico no balneário. Quando de lá saiu, foi agredido e roubaram-lhe a máquina. Mas nós tinhamos-lhe pedido o rolo e por isso houve fotos do sucedido no dia seguinte"
Elucidativo, não acham?
segunda-feira, outubro 18, 2004
Próxima aquisição: Benefício da dúvida
É inevitável. Sempre que o Benfica tem a oportunidade de se afirmar ou passar definitivamente para a frente, o benefício da dúvida faz sempre exibições de sonho!
Tem de ser este o próximo jogador do Benfica! Dê por onde der!
Ontem, no jogo contra a equipa do Champagne (será que a Paula era colega da Carolina?), fez outra exibição daquelas. Reparem nas intervenções decisivas:
- Cotovelada do Ricardo Costa na cara do Geovanni? - O benefício da dúvida não acertou com o cotovelo.
- 30 faltas do Jorge Costa e não viu cartão amarelo? - Não foi ele quem fez as faltas. Foi o benefício da dúvida...
- Corte do Ricardo Costa com o braço dentro da área? - Não! - Foi o benefício da dúvida que cortou. E este jogador do Porto não tem braços dentro da área, tal como o Baia não os tem fora dela.
- Penalty sobre o Karadas? - Qual quê! - O beníficio da dúvida cortou o lance!
- Falta do Pepe sobre o Karadas? - Não! - Mais um corte limpo do benefício da dúvida.
- Golo por validar ao Benfica? - Não, grande defesa do benefício da dúvida!
E vem o verme que apitou o jogo, dizer que quer processar os dirigentes do Benfica... Que pouca vergonha! - A este sabujo nem o benefício da dúvida o safa!
Pior que este nojento, só o Duarte Gomes no Benfica-Sporting de há 3 anos. Pelo menos esse foi homem e não precisou de benefícios da dúvida para levar a água ao seu moínho: roubou à descarada, sem medo de represálias... Por alguma razão esteve no jogo de inauguração do Alvalade XXI. Aquele penalty oferecido ao Jardel foi algo de m a r a v i l h o s o e merecia justa retribuição.
Para além da exibição de sonho no clássico, já na jornada anterior, o benefício da dúvida esteve em grande.E logo em dois jogos do campeonato.
No Dragão (método champagnez), expulsou um jogador do Belenenses sem margem para dúvida (inspirado na arte de bem roubar, à moda do Elmano)
Em Guimarães, sacou um penalty contra o Benfica, depois de fortemente empurrado pelo vento (por sinal, o árbitro até era do Porto. Estaria embriagado em champagne?)
E o mais engraçado é que as exibições começaram depois do Pinto da Costa ter vindo a público dizer que as exibições do benefício da dúvida estavam a prejudicar o FCP. Normal, os árbitros erravam para os dois lados e as duas equipas tinham um benefício da dúvida do seu lado.
O homem soltou o grito de guerra, e a dislexia foi resolvida. Na dúvida, o beneficiado passou a ser o mesmo de sempre...
Mal posso aguardar pela transferência...
Que venha com um apito dourado!
Tem de ser este o próximo jogador do Benfica! Dê por onde der!
Ontem, no jogo contra a equipa do Champagne (será que a Paula era colega da Carolina?), fez outra exibição daquelas. Reparem nas intervenções decisivas:
- Cotovelada do Ricardo Costa na cara do Geovanni? - O benefício da dúvida não acertou com o cotovelo.
- 30 faltas do Jorge Costa e não viu cartão amarelo? - Não foi ele quem fez as faltas. Foi o benefício da dúvida...
- Corte do Ricardo Costa com o braço dentro da área? - Não! - Foi o benefício da dúvida que cortou. E este jogador do Porto não tem braços dentro da área, tal como o Baia não os tem fora dela.
- Penalty sobre o Karadas? - Qual quê! - O beníficio da dúvida cortou o lance!
- Falta do Pepe sobre o Karadas? - Não! - Mais um corte limpo do benefício da dúvida.
- Golo por validar ao Benfica? - Não, grande defesa do benefício da dúvida!
E vem o verme que apitou o jogo, dizer que quer processar os dirigentes do Benfica... Que pouca vergonha! - A este sabujo nem o benefício da dúvida o safa!
Pior que este nojento, só o Duarte Gomes no Benfica-Sporting de há 3 anos. Pelo menos esse foi homem e não precisou de benefícios da dúvida para levar a água ao seu moínho: roubou à descarada, sem medo de represálias... Por alguma razão esteve no jogo de inauguração do Alvalade XXI. Aquele penalty oferecido ao Jardel foi algo de m a r a v i l h o s o e merecia justa retribuição.
Para além da exibição de sonho no clássico, já na jornada anterior, o benefício da dúvida esteve em grande.E logo em dois jogos do campeonato.
No Dragão (método champagnez), expulsou um jogador do Belenenses sem margem para dúvida (inspirado na arte de bem roubar, à moda do Elmano)
Em Guimarães, sacou um penalty contra o Benfica, depois de fortemente empurrado pelo vento (por sinal, o árbitro até era do Porto. Estaria embriagado em champagne?)
E o mais engraçado é que as exibições começaram depois do Pinto da Costa ter vindo a público dizer que as exibições do benefício da dúvida estavam a prejudicar o FCP. Normal, os árbitros erravam para os dois lados e as duas equipas tinham um benefício da dúvida do seu lado.
O homem soltou o grito de guerra, e a dislexia foi resolvida. Na dúvida, o beneficiado passou a ser o mesmo de sempre...
Mal posso aguardar pela transferência...
Que venha com um apito dourado!
segunda-feira, outubro 11, 2004
Boca cheia
Li de relance, já nem me lembro bem onde, que o Benfica ia ficar a falar sozinho.
"Ou pedem desculpas, ou não há bilhetes". Lá de cima nem uma resposta...
Justifica-se! - Com a aproximação do jogo com o Chelsea, aquela gente já deve estar com a boca cheia de munições para brindar o Zé Mourinho!... E como falar de boca cheia é feio, a resposta fica só para eles.
Melhor assim. Sem os Superescarretas, a Catedral fica muito mais bonita!
PS: É um facto que os últimos dias têm sido pródigos em acontecimentos que mais do que justificam um comentário (estou a lembrar-me do Batanete e os palhaços da liga, na comédia da multa dos 200€, ou de um Canalha Coroado Comentador de arbitragem, já para não referir outros casos...). Só que o tempo não abunda e temos vivido com alguma falta dele. Espero que compreendam e não deixem de nos visitar de vez em quando.
"Ou pedem desculpas, ou não há bilhetes". Lá de cima nem uma resposta...
Justifica-se! - Com a aproximação do jogo com o Chelsea, aquela gente já deve estar com a boca cheia de munições para brindar o Zé Mourinho!... E como falar de boca cheia é feio, a resposta fica só para eles.
Melhor assim. Sem os Superescarretas, a Catedral fica muito mais bonita!
PS: É um facto que os últimos dias têm sido pródigos em acontecimentos que mais do que justificam um comentário (estou a lembrar-me do Batanete e os palhaços da liga, na comédia da multa dos 200€, ou de um Canalha Coroado Comentador de arbitragem, já para não referir outros casos...). Só que o tempo não abunda e temos vivido com alguma falta dele. Espero que compreendam e não deixem de nos visitar de vez em quando.
domingo, setembro 26, 2004
Uma dourada razão
Pois é. Como assusta esta sensação de dejavu.
Sempre que encontram dificuldades para vencer, Pinto da Costa e a sua armada de bobys começam a verborreia contra os árbitros. Compreende-se, mal habituados como estão, que se sintam incomodados sempre que o árbitro erra para os dois lados. Para esta corja, errar é normal, desde que seja sempre para o lado azul e branco.
O jogo de Guimarães, por exemplo, foi uma sequência de anormalidades. Normal foi o que aconteceu o ano passado e já este ano na jornada anterior. O ano passado, em Guimarães, anularam um golo ao João Tomás sem ninguém conseguir perceber porquê. A jornada passada, no Dragão, ficou um penalty limpo por marcar a favor do Leiria no início da segunda parte, e as devidas sanções ao Jorge Costa e ao Maniche, por terem agredido colegas de profissão.
Em contrapartida, este ano, já houve o descaremento de anular um golo ao Pepe numa jogada duvidosa (na dúvida, pretege-se quem defende) e a coragem de expulsar directamente o Postiga (os jogadores do Porto só são expulsos por estes motivos, depois de garantido o campeonato).
Com tanta anormalidade, é natural que o Pápa recorra da velha estratégia do costume. Queixa-se de tudo e de todos, mete alguns árbitros na lista negra (vamos ver quantos jogos o Duarte Gomes estará sem apitar o Porto esta época) e ofende pessoas que merecem muito mais respeito do que ele (por exemplo, "chamou maluquinho do sistema" ao Dr. Dias da Cunha, como se este último fosse da sua láia), mais que não seja por todo um passado profissional inquestionável.
Vamos ver se as coisas se alteram e os erros dos árbitros voltam a ter sentido único, caso em que se pode encomendar desde já, as faixas de campeão para o Porto.
Se não se alterarem, é caso para perguntar, "mas porque dourada razão?"
PS: Repare-se que este ano, a favor do Benfica, já ficaram por marcar um penalty em Aveiro e um em Coimbra. Por sua vez, no que ao Sporting diz respeito, temos a arbitragem do jogo de Setúbal. Também aqui tudo normal, porque nestes casos, é costumeiro que os árbitros errem tanto a favor como contra...
Para já, fica o atropelo aos regulamentos, para que o Fabiano pudesse jogar contra o Leiria.
Sempre que encontram dificuldades para vencer, Pinto da Costa e a sua armada de bobys começam a verborreia contra os árbitros. Compreende-se, mal habituados como estão, que se sintam incomodados sempre que o árbitro erra para os dois lados. Para esta corja, errar é normal, desde que seja sempre para o lado azul e branco.
O jogo de Guimarães, por exemplo, foi uma sequência de anormalidades. Normal foi o que aconteceu o ano passado e já este ano na jornada anterior. O ano passado, em Guimarães, anularam um golo ao João Tomás sem ninguém conseguir perceber porquê. A jornada passada, no Dragão, ficou um penalty limpo por marcar a favor do Leiria no início da segunda parte, e as devidas sanções ao Jorge Costa e ao Maniche, por terem agredido colegas de profissão.
Em contrapartida, este ano, já houve o descaremento de anular um golo ao Pepe numa jogada duvidosa (na dúvida, pretege-se quem defende) e a coragem de expulsar directamente o Postiga (os jogadores do Porto só são expulsos por estes motivos, depois de garantido o campeonato).
Com tanta anormalidade, é natural que o Pápa recorra da velha estratégia do costume. Queixa-se de tudo e de todos, mete alguns árbitros na lista negra (vamos ver quantos jogos o Duarte Gomes estará sem apitar o Porto esta época) e ofende pessoas que merecem muito mais respeito do que ele (por exemplo, "chamou maluquinho do sistema" ao Dr. Dias da Cunha, como se este último fosse da sua láia), mais que não seja por todo um passado profissional inquestionável.
Vamos ver se as coisas se alteram e os erros dos árbitros voltam a ter sentido único, caso em que se pode encomendar desde já, as faixas de campeão para o Porto.
Se não se alterarem, é caso para perguntar, "mas porque dourada razão?"
PS: Repare-se que este ano, a favor do Benfica, já ficaram por marcar um penalty em Aveiro e um em Coimbra. Por sua vez, no que ao Sporting diz respeito, temos a arbitragem do jogo de Setúbal. Também aqui tudo normal, porque nestes casos, é costumeiro que os árbitros errem tanto a favor como contra...
Para já, fica o atropelo aos regulamentos, para que o Fabiano pudesse jogar contra o Leiria.
quinta-feira, setembro 23, 2004
Incendiários
A Superliga começou de forma perfeitamente atípica, se tivermos em conta o passado recente da competição. Surpreendentemente, Porto e Sporting vêm-se com apenas 3 pontos ao final de jogos. Manifestamente pouco para equipas deste calibre.
Provavelmente mais surpreendente é a prestação do Benfica. 3 vitórias, 9 pontos, com exibições de muito trabalho e menos arte, numa prova de uma certa regularidade, mostrando ainda automatismos de Camacho, mas, honra lhe seja feita, uma indisfarçável frieza herdada do seu treinador.
O aspecto que mais me admira, porém, não vem de dentro de campo, mas sim de fora. Folheando os jornais desportivos vemos que, do Benfica, temos muito pouco assunto. Os treinos, os golos, alguma estatística, muito pouco que escrever. Habilmente, o Benfica contornou as milhares de contratações do defeso, as dúvidas sobre Trapattoni (ainda antes da 2ª mão em Bruxelas! Basta lembrar o tema do programa "Opinião Pública" da SIC Notícias, no dia seguinte ao jogo, na Luz, com o Anderlecht: "Trapattoni foi um erro?"), o próprio desaire na Liga dos Campeões, uma 1ª jornada tremida, as declarações fora de tempo e curiosas de Hélder e Abel Xavier, os ataques de Dias da Cunha. Mérito de Veiga e de Vieira ou não, o Benfica tem mostrado uma notável e salutar invulnerabilidade às evidentes tentativas de destabilização.
Neste contexto, têm surgido em todos os jornais desportivos (de papel e também online), insistentes notícias sobre Roger. Roger tornou-se numa magnífica, eficiente e reciclável arma de arremesso que, em tudo, faz lembrar a célebre bala com uma guita atada de Raúl Solnado. Vejamos os factos, Roger já passou mais de 2 épocas na Luz. Já teve diversos treinadores. Já teve diversas oportunidades, inclusivamente, na posição em que diz gostar de jogar. Roger já teve tudo para ter sucesso no Benfica e simplesmente não o teve. Não creio que isso tenha a ver com o seu talento, mas sim com a forma como Roger aborda o jogo. É lento, é desinteressado. Galvaniza a plateia e os jornalistas com mirabolantes proezas com a bola, mas no fim sai muito pouco sumo. Uma comparação com Deco, por exemplo, chega a ser ofensiva para o "português", tal a diferença entre ambos, não do ponto de vista técnico, mas do ponto de vista táctico, de preenchimento de espaços e de presença no jogo. Não creio, pois, que Roger tenha lugar no Benfica ou em qualquer outro clube europeu com esta atitude e, pelos vistos, não sou o único dado os sucessivos empréstimos ao Fluminense.
Estranho seria, no entanto, se periodicamente lá surgem umas notícias de Roger. Foi o melhor em campo, é o melhor jogador do campeonato, tem uma vida pessoal óptima, quer voltar, não quer voltar, almoçou com amigos do Benfica. A única conclusão lógica é que alguém quer que Roger ande nas bocas do povo. Alguém quer promover o jogador e a sentenciada discussão da sua utilidade no Benfica. E esse alguém será precisamente quem publica estas notícias. Objectivo claro: Fragmentar os adeptos e, principalmente, o balneário que já conhece bem o "menino do Rio".
Do lado do Benfica, exemplar silêncio. Diz o povo que vozes de burro não chegam ao céu. Pena só que Roger seja um activo cada vez mais desvalorizado e que custou 1.6 milhões de contos. Em Janeiro de 2006 será livre para assinar por qualquer clube. Não poderia o Benfica, pelo menos, usá-lo como moeda de troca? É que, assim, Roger é só gasolina nas mãos de incendiários.
Provavelmente mais surpreendente é a prestação do Benfica. 3 vitórias, 9 pontos, com exibições de muito trabalho e menos arte, numa prova de uma certa regularidade, mostrando ainda automatismos de Camacho, mas, honra lhe seja feita, uma indisfarçável frieza herdada do seu treinador.
O aspecto que mais me admira, porém, não vem de dentro de campo, mas sim de fora. Folheando os jornais desportivos vemos que, do Benfica, temos muito pouco assunto. Os treinos, os golos, alguma estatística, muito pouco que escrever. Habilmente, o Benfica contornou as milhares de contratações do defeso, as dúvidas sobre Trapattoni (ainda antes da 2ª mão em Bruxelas! Basta lembrar o tema do programa "Opinião Pública" da SIC Notícias, no dia seguinte ao jogo, na Luz, com o Anderlecht: "Trapattoni foi um erro?"), o próprio desaire na Liga dos Campeões, uma 1ª jornada tremida, as declarações fora de tempo e curiosas de Hélder e Abel Xavier, os ataques de Dias da Cunha. Mérito de Veiga e de Vieira ou não, o Benfica tem mostrado uma notável e salutar invulnerabilidade às evidentes tentativas de destabilização.
Neste contexto, têm surgido em todos os jornais desportivos (de papel e também online), insistentes notícias sobre Roger. Roger tornou-se numa magnífica, eficiente e reciclável arma de arremesso que, em tudo, faz lembrar a célebre bala com uma guita atada de Raúl Solnado. Vejamos os factos, Roger já passou mais de 2 épocas na Luz. Já teve diversos treinadores. Já teve diversas oportunidades, inclusivamente, na posição em que diz gostar de jogar. Roger já teve tudo para ter sucesso no Benfica e simplesmente não o teve. Não creio que isso tenha a ver com o seu talento, mas sim com a forma como Roger aborda o jogo. É lento, é desinteressado. Galvaniza a plateia e os jornalistas com mirabolantes proezas com a bola, mas no fim sai muito pouco sumo. Uma comparação com Deco, por exemplo, chega a ser ofensiva para o "português", tal a diferença entre ambos, não do ponto de vista técnico, mas do ponto de vista táctico, de preenchimento de espaços e de presença no jogo. Não creio, pois, que Roger tenha lugar no Benfica ou em qualquer outro clube europeu com esta atitude e, pelos vistos, não sou o único dado os sucessivos empréstimos ao Fluminense.
Estranho seria, no entanto, se periodicamente lá surgem umas notícias de Roger. Foi o melhor em campo, é o melhor jogador do campeonato, tem uma vida pessoal óptima, quer voltar, não quer voltar, almoçou com amigos do Benfica. A única conclusão lógica é que alguém quer que Roger ande nas bocas do povo. Alguém quer promover o jogador e a sentenciada discussão da sua utilidade no Benfica. E esse alguém será precisamente quem publica estas notícias. Objectivo claro: Fragmentar os adeptos e, principalmente, o balneário que já conhece bem o "menino do Rio".
Do lado do Benfica, exemplar silêncio. Diz o povo que vozes de burro não chegam ao céu. Pena só que Roger seja um activo cada vez mais desvalorizado e que custou 1.6 milhões de contos. Em Janeiro de 2006 será livre para assinar por qualquer clube. Não poderia o Benfica, pelo menos, usá-lo como moeda de troca? É que, assim, Roger é só gasolina nas mãos de incendiários.
sábado, setembro 18, 2004
Respeitar para ser respeitado
Record.
Confesso que não tem sido fácil organizar ideias para poder escrever o que penso. Não faço disto profissão, nem espero algo que não seja a partilha de ideias entre adeptos do maior clube Português. Por se tratar disso mesmo, do maior clube Português, acho importante relembrar o respeito que lhe é devido.
Todos nós sabemos qual o impacto da imprensa desportiva na opinião das massas adeptas. Fenómeno dos países latinos, depressa conquistaram o seu espaço, ganhando o respeito dos leitores através de uma escola de jornalistas que primava, acima de tudo, pela seriedade e isenção.
Penso ser aqui que a coisa está a mudar. Deixando de ser um espaço de relato e de opinião sincera, os jornais desportivos foram-se tornando no principal meio de influência do universo de adeptos.
Entrou-se na selva das pseudo-notícias e das manchetes que valem dinheiro. A notícia, essa, tornou-se um artefacto, e é tanto ou mais importante, quanto o impacto que conseguir gerar.
Atente-se no caso do jornal que motivou estas linhas, o Record. Nos últimos anos, a equipa editorial foi mudando. Pouco a pouco, paulatinamente, o importante era não gerar ondas e atingir o figurino desejado. Para já, no sotaque é perceptível a proeminência dos Bês e a linha editorial é, no mínimo, discutivel.
Acho que até o mais desatento dos adeptos de futebol já se deve ter apercebido. Pelas contas dos senhores jornalistas do Record, o plantel do Benfica já deixou de contar com meia equipa, incluíndo todos os jogadores considerados fundamentais, por incapacidade na renovação de contratos, e contratou, pelo menos, mais uma mão-cheia de jogadores, à velocidade de quase um por dia, para a notíca ir durando. Afinal, e vistas bem as coisas, a notícia é sempre a mesma, só muda o nome do jogador...
Só que por vezes também vendem, como foi o caso do Miguel. Este jogador teve o mérito de suscitar o interesse da Juve sempre na véspera ou ante-véspera dos jogos do Benfica com o Anderlecht. O Benfica foi eliminado e, infeliz coincidência, a Juve perdeu o interesse... Acredito que irão voltar à carga nas vésperas de um derby. Não a Juve, mas outro qualquer, para a notícia parecer nova. Como convém...
Sobre as dispensas, a coisa então é mais rídicula. O Tiago, iria sair a custo zero, com o Manuel Fernandes seria impossível renovar, o Miguel tinha a saída mais que certa, o Sokota foi jogador do passado, já para não falar nos casos do Nuno Gomes, do Simão, do Petit, do João Pereira, do Za, etc, etc, etc...
Posto isto, pergunto-me eu, qual o critério que permite que um jornal que se diz sério, publicar tantas notícias que depois não têm correspondência factual? - Acima da venda pela venda, está o respeito mútuo. Os leitores merecem-no. O Benfica ainda mais.
PS: Passarei a tomar nota de todas as notícias de contratações, vendas e renovações publicadas por este jornal. Quero confirmar quantas corresponderão à verdade.
Confesso que não tem sido fácil organizar ideias para poder escrever o que penso. Não faço disto profissão, nem espero algo que não seja a partilha de ideias entre adeptos do maior clube Português. Por se tratar disso mesmo, do maior clube Português, acho importante relembrar o respeito que lhe é devido.
Todos nós sabemos qual o impacto da imprensa desportiva na opinião das massas adeptas. Fenómeno dos países latinos, depressa conquistaram o seu espaço, ganhando o respeito dos leitores através de uma escola de jornalistas que primava, acima de tudo, pela seriedade e isenção.
Penso ser aqui que a coisa está a mudar. Deixando de ser um espaço de relato e de opinião sincera, os jornais desportivos foram-se tornando no principal meio de influência do universo de adeptos.
Entrou-se na selva das pseudo-notícias e das manchetes que valem dinheiro. A notícia, essa, tornou-se um artefacto, e é tanto ou mais importante, quanto o impacto que conseguir gerar.
Atente-se no caso do jornal que motivou estas linhas, o Record. Nos últimos anos, a equipa editorial foi mudando. Pouco a pouco, paulatinamente, o importante era não gerar ondas e atingir o figurino desejado. Para já, no sotaque é perceptível a proeminência dos Bês e a linha editorial é, no mínimo, discutivel.
Acho que até o mais desatento dos adeptos de futebol já se deve ter apercebido. Pelas contas dos senhores jornalistas do Record, o plantel do Benfica já deixou de contar com meia equipa, incluíndo todos os jogadores considerados fundamentais, por incapacidade na renovação de contratos, e contratou, pelo menos, mais uma mão-cheia de jogadores, à velocidade de quase um por dia, para a notíca ir durando. Afinal, e vistas bem as coisas, a notícia é sempre a mesma, só muda o nome do jogador...
Só que por vezes também vendem, como foi o caso do Miguel. Este jogador teve o mérito de suscitar o interesse da Juve sempre na véspera ou ante-véspera dos jogos do Benfica com o Anderlecht. O Benfica foi eliminado e, infeliz coincidência, a Juve perdeu o interesse... Acredito que irão voltar à carga nas vésperas de um derby. Não a Juve, mas outro qualquer, para a notícia parecer nova. Como convém...
Sobre as dispensas, a coisa então é mais rídicula. O Tiago, iria sair a custo zero, com o Manuel Fernandes seria impossível renovar, o Miguel tinha a saída mais que certa, o Sokota foi jogador do passado, já para não falar nos casos do Nuno Gomes, do Simão, do Petit, do João Pereira, do Za, etc, etc, etc...
Posto isto, pergunto-me eu, qual o critério que permite que um jornal que se diz sério, publicar tantas notícias que depois não têm correspondência factual? - Acima da venda pela venda, está o respeito mútuo. Os leitores merecem-no. O Benfica ainda mais.
PS: Passarei a tomar nota de todas as notícias de contratações, vendas e renovações publicadas por este jornal. Quero confirmar quantas corresponderão à verdade.
sexta-feira, setembro 17, 2004
Ou há moralidade ou comem todos
No seu editorial de 7 de Setembro, o prestável Manuel Tavares lembra-nos que a Superliga está viciada. Segundo o editor d'O Jogo, "vender as acções que detém no Estoril seria a melhor forma de José Veiga defender a imagem do Benfica e a transparência da SuperLiga".
José Veiga detém 80% do capital do Estoril-Praia, SAD. Também detém acções da Sport Lisboa e Benfica, Futebol, SAD, ocupando cargo de vulto na estrutura directiva do Benfica. De facto, Manuel Tavares terá alguma razão. Não fica, no mínimo, bem a José Veiga estar a jogar em 2 tabuleiros. Para além disso, é uma falha na sua imagem de dirigente empenhado no Benfica (e todos sabemos a força de um aglomerado de sócios benfiquistas).
Onde Manuel Tavares entra no domínio da patetice pegada é quando diz que esta singularidade afecta a transparência desportiva da Superliga. E a poucos dias de um jogo entre o clube de Manuel Tavares e o Estoril-Praia, este post surge como adequadíssimo.
Escreve, então, o senhor: "No dia em que o Benfica fosse campeão com um ponto de vantagem no final de uma SuperLiga em que, por hipótese, esse ponto a mais resultasse da contabilidade dos jogos com o Estoril, estaria lançada mais uma enorme vaga de suspeição sobre o futebol português. "
<Pausa para voltar à calma depois da gargalhada>
Em primeiro lugar, é extremamente redutor dizer-se que esse ponto resultaria de uma contabilidade dos jogos com o Estoril. A meu ver, até poderia ser já por causa do Braga, que até já fez o Porto perder pontos! Desculpar uma hipotética perca do título com apenas 1 jogo em 34 é surreal e só numa mentalidade pequenina e facciosa é que seria possível.
Depois, denota-se aqui algum temor. Já havíamos salientado que o Porto está a custar a pegar. Mas daí a temer os jogos com o Estoril, meu Deus! Então não é campeão Europeu? Tem obrigação de cilindrar o pobre Estoril-Praia nos 2 jogos. Se calhar, o Del Neri até estava feito com o José Veiga para estragar a equipa do Porto para os jogos com o Estoril. Não sei. Tudo é possível em certas redacções.
Por último, Manuel Tavares faltou ao respeito à equipa técnica e aos jogadores do Estoril, ao acusá-los, implicitamente, de falta de profissionalismo. Não acredito que nenhum jogador a este nível seja capaz de fazer o que este editorial sugere.
O que não vi, ainda, em nenhum artigo de opinião é uma crítica cabal à grande imoralidade das nossas ligas: os empréstimos. Os empréstimos são um dos ases de trunfos do Porto. Com os empréstimos faz-se de tudo. Compram-se jogadores, fazem-se pazes, controlam-se clubes, subidas e descidas de divisão. Poderia contra-argumentar-se a dizer que os jogadores emprestados também são profissionais. E são! Mas nunca jogam contra o clube de origem, o que também me parece uma aberracção.
Eis, pois, uma imoralidade muito maior do que a de José Veiga, o Benfica e o Estoril. Os últimos anos têm mostrado equipas B e C do Porto, como o Varzim, o U.Leiria ou a Académica. A solução para este problema? Simples. Moralidade. Empréstimos, só 3 por equipa, só a equipas de divisões diferentes e 2 delas sendo jogadores sub-23.
Afinal, ou há moralidade ou comem todos.
PS - Jorge Costa não foi convocado para o jogo com o Estoril, supostamente para descansar. Vamos lá ver se o Porto não perde pontos e depois perde o campeonato! Não vou perder a crónica do jogo, n'O Jogo, se houver surpresa!
José Veiga detém 80% do capital do Estoril-Praia, SAD. Também detém acções da Sport Lisboa e Benfica, Futebol, SAD, ocupando cargo de vulto na estrutura directiva do Benfica. De facto, Manuel Tavares terá alguma razão. Não fica, no mínimo, bem a José Veiga estar a jogar em 2 tabuleiros. Para além disso, é uma falha na sua imagem de dirigente empenhado no Benfica (e todos sabemos a força de um aglomerado de sócios benfiquistas).
Onde Manuel Tavares entra no domínio da patetice pegada é quando diz que esta singularidade afecta a transparência desportiva da Superliga. E a poucos dias de um jogo entre o clube de Manuel Tavares e o Estoril-Praia, este post surge como adequadíssimo.
Escreve, então, o senhor: "No dia em que o Benfica fosse campeão com um ponto de vantagem no final de uma SuperLiga em que, por hipótese, esse ponto a mais resultasse da contabilidade dos jogos com o Estoril, estaria lançada mais uma enorme vaga de suspeição sobre o futebol português. "
<Pausa para voltar à calma depois da gargalhada>
Em primeiro lugar, é extremamente redutor dizer-se que esse ponto resultaria de uma contabilidade dos jogos com o Estoril. A meu ver, até poderia ser já por causa do Braga, que até já fez o Porto perder pontos! Desculpar uma hipotética perca do título com apenas 1 jogo em 34 é surreal e só numa mentalidade pequenina e facciosa é que seria possível.
Depois, denota-se aqui algum temor. Já havíamos salientado que o Porto está a custar a pegar. Mas daí a temer os jogos com o Estoril, meu Deus! Então não é campeão Europeu? Tem obrigação de cilindrar o pobre Estoril-Praia nos 2 jogos. Se calhar, o Del Neri até estava feito com o José Veiga para estragar a equipa do Porto para os jogos com o Estoril. Não sei. Tudo é possível em certas redacções.
Por último, Manuel Tavares faltou ao respeito à equipa técnica e aos jogadores do Estoril, ao acusá-los, implicitamente, de falta de profissionalismo. Não acredito que nenhum jogador a este nível seja capaz de fazer o que este editorial sugere.
O que não vi, ainda, em nenhum artigo de opinião é uma crítica cabal à grande imoralidade das nossas ligas: os empréstimos. Os empréstimos são um dos ases de trunfos do Porto. Com os empréstimos faz-se de tudo. Compram-se jogadores, fazem-se pazes, controlam-se clubes, subidas e descidas de divisão. Poderia contra-argumentar-se a dizer que os jogadores emprestados também são profissionais. E são! Mas nunca jogam contra o clube de origem, o que também me parece uma aberracção.
Eis, pois, uma imoralidade muito maior do que a de José Veiga, o Benfica e o Estoril. Os últimos anos têm mostrado equipas B e C do Porto, como o Varzim, o U.Leiria ou a Académica. A solução para este problema? Simples. Moralidade. Empréstimos, só 3 por equipa, só a equipas de divisões diferentes e 2 delas sendo jogadores sub-23.
Afinal, ou há moralidade ou comem todos.
PS - Jorge Costa não foi convocado para o jogo com o Estoril, supostamente para descansar. Vamos lá ver se o Porto não perde pontos e depois perde o campeonato! Não vou perder a crónica do jogo, n'O Jogo, se houver surpresa!
terça-feira, setembro 14, 2004
Ossos do ofício.
Pronto. Começou o regabofe.
Alexandre Pais, mais um, desse universo iluminado que forma a pândega de jornalistas do Record, teve uma saída brilhante. No seu artigo de opinião, "Os três anjos",critíca o Trapattoni por ter razão. Peseiro e Fernandez por não reclamarem penalties.
Ora aqui está um bom critério. Não sei se o seu jornal vive em dificuldades financeiras, mas fica claramente demonstrado que o que é preciso é agitar as águas. Não de qualquer forma, mas da melhor maneira. Desde que se venda jornais. Senão vejamos:
- No Benfica, nada melhor do que colocar os sócios contra o treinador. Homem conceituado, sem provas a dar a ninguém, teve o terrivel defeito de ter razão contra o Moreirense (há algo que venda mais do que a subsituição de treinador do Benfica?). Pois é, contra o Beira-Mar, ao Benfica foi sonegado um penalty, mas aí ninguém falou. Não tivesse o Benfica sido melhor em campo e marcado mais golos do que o adversário, e estávamos nesta altura dentro da normalidade das épocas anteriores.
- O Porto. Grande exibição. Golpes de táctita a fazerem esquecer completamente o Mourinho, um golo que acontece de ano a ano, um remate à baliza do Braga durante a segunda parte, e no final, sobra o penalty não assinalado. Repare-se que apenas um jogador de campo do Porto reclamou na altura. Sabendo nós como sabemos, da educação que estes jogadores têm quando falam com os árbitros, parece-me que não foi apenas o árbitro a não ver o lance .Desabafos do McCArthy? (para a imprensa estás morto, rapaz. Mordeste ao dono, espera pela reacção da matilha...) - Declarações do Costinha? - Tudo normal para esta gente!
- O Sporting. Outro desafio que deve figurar nos compêndios da boa táctica futebolística. A substituição de Tinga na primeira parte, o Miguel Garcia, o Pinilla, a dupla de centrais, que maravilha! - Como é bom ver uma equipa trocar a bola 20 vezes no meio campo e progredir 3 metros! - Aquilo sim, é futebol!!. Não admira pois, que a jogar desta maneira, o Sporting não tivesse ganho por culpa do árbtitro. Confundiu o Meyong com o Liedson e pronto, lá marcou o penalty da ordem que é costumeiro marcar sobre este jogador. Como é possível o descaramento!
Em jeito de conclusão, parece-me que erros do árbitro, só se toleram contra o Benfica. Estes nunca servem de desculpa quando a equipa não ganha. A culpa é só do treinador. E quando se ganha, a culpa também é dele, pois devia-se ter ganho por mais.
Nos outros dois, a lógica inverte-se. Quando não ganham, a culpa não é deles. São culpados sim, de mostrar fairplay e de não culpar o árbitro!
É assim a vida no futebol cá do burgo. Destabiliza-se o Benfica, perdoam-se os outros (através de críticas com segundas intenções) e os jornais vão-se vendendo ao sabor do vento...
Os cães do dono agitam-se para conseguirem as melhores festas. Com alguma sorte, conseguirão um ossito...
Alexandre Pais, mais um, desse universo iluminado que forma a pândega de jornalistas do Record, teve uma saída brilhante. No seu artigo de opinião, "Os três anjos",critíca o Trapattoni por ter razão. Peseiro e Fernandez por não reclamarem penalties.
Ora aqui está um bom critério. Não sei se o seu jornal vive em dificuldades financeiras, mas fica claramente demonstrado que o que é preciso é agitar as águas. Não de qualquer forma, mas da melhor maneira. Desde que se venda jornais. Senão vejamos:
- No Benfica, nada melhor do que colocar os sócios contra o treinador. Homem conceituado, sem provas a dar a ninguém, teve o terrivel defeito de ter razão contra o Moreirense (há algo que venda mais do que a subsituição de treinador do Benfica?). Pois é, contra o Beira-Mar, ao Benfica foi sonegado um penalty, mas aí ninguém falou. Não tivesse o Benfica sido melhor em campo e marcado mais golos do que o adversário, e estávamos nesta altura dentro da normalidade das épocas anteriores.
- O Porto. Grande exibição. Golpes de táctita a fazerem esquecer completamente o Mourinho, um golo que acontece de ano a ano, um remate à baliza do Braga durante a segunda parte, e no final, sobra o penalty não assinalado. Repare-se que apenas um jogador de campo do Porto reclamou na altura. Sabendo nós como sabemos, da educação que estes jogadores têm quando falam com os árbitros, parece-me que não foi apenas o árbitro a não ver o lance .Desabafos do McCArthy? (para a imprensa estás morto, rapaz. Mordeste ao dono, espera pela reacção da matilha...) - Declarações do Costinha? - Tudo normal para esta gente!
- O Sporting. Outro desafio que deve figurar nos compêndios da boa táctica futebolística. A substituição de Tinga na primeira parte, o Miguel Garcia, o Pinilla, a dupla de centrais, que maravilha! - Como é bom ver uma equipa trocar a bola 20 vezes no meio campo e progredir 3 metros! - Aquilo sim, é futebol!!. Não admira pois, que a jogar desta maneira, o Sporting não tivesse ganho por culpa do árbtitro. Confundiu o Meyong com o Liedson e pronto, lá marcou o penalty da ordem que é costumeiro marcar sobre este jogador. Como é possível o descaramento!
Em jeito de conclusão, parece-me que erros do árbitro, só se toleram contra o Benfica. Estes nunca servem de desculpa quando a equipa não ganha. A culpa é só do treinador. E quando se ganha, a culpa também é dele, pois devia-se ter ganho por mais.
Nos outros dois, a lógica inverte-se. Quando não ganham, a culpa não é deles. São culpados sim, de mostrar fairplay e de não culpar o árbitro!
É assim a vida no futebol cá do burgo. Destabiliza-se o Benfica, perdoam-se os outros (através de críticas com segundas intenções) e os jornais vão-se vendendo ao sabor do vento...
Os cães do dono agitam-se para conseguirem as melhores festas. Com alguma sorte, conseguirão um ossito...
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